Ciência e Mito | Imprimir |

Normalmente, as discussões cientificas não ocupam as primeiras paginas de jornais e revistas. A revista Veja, ao produzir a matéria sobre o Big Bang  foi uma exceção. Veja não fez isso a toa, mas para tentar dar um cunho “cientifico” a religião. Arthur Clark declarou um dia que a ciência para quem não a compreende é igual a feitiçaria. A burguesia, atualmente, procura inverter esta equação e mostrar que a feitiçaria, a ignorância e a religião são...ciência.

Em busca das origens do universo, cientistas e religiosos chegam a algumas conclusões parecidas (Veja, 25-06-08, pag. 122)

Para fazer isso, a Revista lista primeiro as evidencias conhecidas (segundo ela) da Teoria:

Teoricas – se o universo está se expandindo e resfriando, então é certo que em algum momento do passado ele foi pequeno e quente

Experimental – radiação cósmica de fundo, prevista por Gamow, detectada acidentalmente em 1965

Universo homogêneo – a matéria é distribuída na mesma proporção por todo o Cosmo, observação compatível com o modelo de uma “súbita expansão” original

A primeira afirmação apela para o “senso comum”. E que não é tão evidente assim. Pelo contrário, até a final do século XX, a “teoria” dizia que o universo havia explodido e, como em toda explosão, hoje ele desacelerava. Descobriu-se então que, ao contrário do previsto pela teoria, o universo estava em aceleração, expandia-se cada dia mais rápido. Então, a teoria estaria errada? Ora, ora...para que jogar fora uma boa teoria se os dados a contradizem? É melhor inventar uma correção da teoria, e ai inventaram a ...energia escura, uma espécie de energia que nunca foi detectada mas que age entre as galáxias obrigando-as a se repelirem ao invés de se atraírem pela gravitação. Ah, sim, ela não age no interior das galáxias, que tem menos matéria que o previsto pela teoria – daí a necessidade da mateira escura, que atrai as estrelas entre si e mantem as galáxias como elas são hoje...

A segunda afirmação pode ser explicada por outras teorias. Dois cientistas brasileiros, Assis e Neves, fizeram um artigo no qual explicam que haviam outras teorias prevendo a radiação de fundo. E, mais ainda, elas previam um valor mais aproximado ao que foi descoberto do que Gamow, que chegou a prever um valor 50 vezes maior que o teórico! Mas, no final, ficou a teoria do big bang e as outras foram “esquecidas”.

Por ultimo, a questão do universo “homogêneo” é controversa até hoje, já que os dados mostram uma serie de “irregularidades” e, para cada uma mostrada, é acrescentado um novo “pedaço” a teoria para explicar como ela pode ter sido produzida.

Esta abordagem de Veja, aliás, repete um erro comum: que os dados e partes da teoria existem independente um dos outros. Em um site de dois cientistas que defendem a teoria (Björn Feuerbacher e Ryan Scranton), encontramos a explicação:

 

Esta é uma longa lista de parametros – São tantos que se pode argumentar que uma teoria com tantos ajustes pode ser ajustada para qualquer conjunto de observações. Porem, como mencionado acima, eles não são realmente independentes. Escolher um valor para o Parametro de Hubble imediatamente afeta os valores esperados para a densidade e o parâmetro de desaceleração. Da mesma forma, um conjunto diferente de densidade dos componentes deverá mudar a taxa em que o Parametro de Hubble varia com o tempo. Além disso, existe uma grande variedade de observações cosmológicas a serem feitas – Observações com metodologias, sensibilidades e fatores sistemáticos amplamente diferentes. Um modelo consensual tem que se enquadrar em todos os dados disponíveis, e nas ultimas décadas, esses experimentos resultaram no que tem sido chamado de modelo de concordância.

Como podemos ver, tudo isto é parte da teoria e caso nosso ponto de partida fosse outro, outras seriam as conseqüências (inclusive a própria composição do universo). E entre os paramentros, a densidade, ou seja, a relação entre a átomos e matéria escura, é parametro, assim como a equação da energia escura. Dito de outra forma, sem eles, não existe a teoria, são dados para que se construa a teoria, não são resultados experimentais.

Se o modelo fosse o de criação continua de matéria, é evidente que seriam necessários ajustes, mas provavelmente não seriam o de Matéria e Energia escura. Se estivéssemos trabalhando com o modelo de plasma desenvolvido por Alfven, também teríamos outros parâmetros.

Com tantos problemas, porque o big bang se tornou a teoria de referência? Vamos examinar esta questão em um próximo artigo.

 

Sites para consultas

 

Uma conferencia de Alfven sobre mito e ciência

http://articles.adsabs.harvard.edu/cgi-bin/nph-iarticle_query?1984JApA....5...79A&data_type=PDF_HIGH&type=PRINTER&filetype=.pdf

 

Alfven – exposição introdutória sobre a fisica de plasma na cosmologia

http://ieeexplore.ieee.org/search/wrapper.jsp?arnumber=45495

 

Referencia biográficas sobre Alfven

http://en.wikipedia.org/wiki/Hannes_Alfv%C3%A9n

 

O site “o big bang nunca existiu”

http://www.bigbangneverhappened.org/

 

Carta aberta a comunidade cientifica

- site internacional –http://www.cosmologystatement.org/

- tradução para português -

 

Site do professor da Unicamp Andre Assis

http://www.ifi.unicamp.br/~assis/

 

Sites dos defensores do big bang

http://www.talkorigins.org/faqs/astronomy/bigbang.html
http://www.eclipse.net/~cmmiller/DM/
http://www.lbl.gov/Science-Articles/Archive/sabl/2007/Nov/darkenergy1.html
http://www.astro.ucla.edu/~wright/cosmology_faq.html

 
UNA Brasil - União Nacional de Ateus
MPU | IntMag