Einstein e a religião | Imprimir |

A foto de Einstein com os cabelos despenteados e a língua de fora é, na maioria do mundo, a imagem do cientista “padrão”: alguém um pouco doido, meio fora da realidade, lidando com coisas incompreensíveis para a maioria.  Assim, a divulgação de uma carta de Einstein onde ele trata a religião como superstição leva a manchetes no mundo inteiro. E o que tem isso de verdade?

O Autor de “Deus, um delírio”, Richard Dawkins, que é biólogo constata que a maioria dos biólogos são ateus, mas isto não é tão verdade quando se trata de físicos. Ele tem razão. E isto começa, na verdade, com Newton. Newton, depois de suas descobertas, escreveu mais sobre alquimia do que sobre física. E ele não teve nunca a pretensão de “acabar com Deus”. Ele pretendia somente explicar o movimento dos corpos físicos e, em particular, dos planetas. A expansão de suas idéias vai levar depois o cônego Laplace a proclamar sobre Deus: “não preciso desta hipótese”. Mas o conego estava errado: a mecanica de Newton e Einstein (mecânica clássica e mecanica relativística) estabelecem, pelos seus pressupostos, a previsão do futuro. Em outras palavras: é possível conhecer todo o futuro, o futuro estará então, em certo sentido, pré-determinado pela posição e velocidade das partículas (sendo ou não conhecido todas as velocidades e posições) e pelas leis que as regem (mecânica clássica e depois mecânica relativística). Esta é uma posição idealista, que necessita de um Deus para sustenta-la até o fim. É desta posição que nasce a famosa teoria do big-bang, teoria idealista em todos os sentidos (ver artigo anterior).

Isto quer dizer que os físicos são idealistas até o fim? Não necessariamente. Carl Sagan e um grande numero de físicos adota uma posição de dúvida: não temos provas de que Deus exista. Mas estas duas teorias não explicam tudo. Ao tentar conhecer as partículas pequenas, os átomos e seus componentes, os físicos foram obrigados a construir uma nova teoria: a mecânica quântica, onde o futuro não é mais previsível. Einstein, em um comentário famoso, dizia que recusava-se a acreditar que Deus jogasse dados. Em outras palavras, Einstein recusava-se a reconhecer que o futuro não fosse totalmente previsível. Em termos filosóficos, o seu comentário é idealista.

A teoria da evolução e a mecânica quântica são as grandes sínteses cientificas que trabalham com o aleatório em vez do determinismo. Einstein, que nunca aceitou os resultados da mecânica quântica tinha, neste sentido, uma posição idealista. Mas ele nunca foi, como não o são a maioria dos grandes cientistas, um supersticioso que acreditasse em Deuses como o da Biblia ou do Alcorão. E é isto que a carta confirma. Voltaremos em próximo artigo sobre a questão da realidade física e da “superstição cientifica” tão em voga nos dias de hoje e que Einsteins e outros grandes físicos combateram.

 
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